Divagações de 1.11.02

(Carlos Drummond de Andrade)

Quem nao tem namorado é alguém que tirou férias nao remuneradas de si mesmo.
Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade
é muito raro. Necessita de adivinhaçao, de pele, de saliva, lágrima, nuvem,
quindim, brisa ou filosofia.

Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixao é fácil. Mas
namorado, mesmo, é muito difícil.

Namorado nao precisa ser o mais bonito, mas aquele a quem se quer proteger e
quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo
proteçao. A proteçao dele nao precisa ser parruda, decidida, ou bandoleira:
basta um olhar de compreensao ou mesmo de afliçao.

Quem nao tem namorado nao é quem nao tem um amor: é quem nao sabe o gosto de
namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e
dois amantes, mesmo assim pode nao ter namorado.

Nao tem namorado quem nao sabe o gosto da chuva, cinema sessao das duas,
medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Nao tem namorado
quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou
lagartixa e quem ama sem alegria. Nao tem namorado quem faz pactos de amor
apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que
rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar.

Nao tem namorado quem nao sabe o valor de maos dadas; de carinho escondido
na hora que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente; de
poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem
devagar; de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada; de
ânsia de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo
alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.

Nao tem namorado quem nao gosta de dormir agarrado, fazer sesta abraçado,
fazer compra junto. Nao tem namorado quem nao gosta de falar do próprio
amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos
olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Nao tem namorado
quem nao redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para
parques, fliperamas, beira d'água, show do Milton Nascimento, bosques
enluarados, ruas de sonhos ou musical na Metro.

Nao tem namorado quem nao tem música secreta com ele, quem nao dedica
livros, quem nao recorta artigos, quem nao chateia com o fato de o seu bem
ser paquerado. Nao tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir;
quem curte sem aprofundar. Nao tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser
lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia de sol em
plena praia cheia de rivais. Nao tem namorado quem ama sem se dedicar; quem
namora sem brincar; quem vive cheio de obrigaçoes; quem faz sexo sem esperar
o outro ir junto com ele. Nao tem namorado quem confunde solidao com ficar
sozinho. Nao tem namorado quem nao fala sozinho, nao ri de si mesmo e quem
tem medo de ser afetivo.

Se você nao tem namorado porque nao descobriu que o amor é alegre e você
vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve,
aquela de chita e passeie de maos dadas com o ar.

Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricçoes de
esperança. De alma escovada e coraçao estouvado, saia do quintal de si mesmo
e descubra o próprio jardim.

Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua
janela.

Ponha intençoes de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada.
Ande como se o chao estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse
uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer
frases sutis e palavras de galanteria.

[+] Unknown as 5:45:00 AM -

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Pessoal.
Valeu pelas visitas.
Infelizmente hoje não vai ter texto longo não. rs. Talvez mais tarde.
Hoje é só pra dar um toque. A Liliana agora tem blog.
Tá uma tosqueira ainda porque fui eu que fiz, mas vale uma visitinha depois. Ao menos acho que ela terá coisas interessantes a dizer. rs

Beijo Liliana! :)

[+] Unknown as 2:19:00 AM -

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Divagações de 29.10.02

Bom, vamos então direto ao ponto.
Minha primeira experiência aconteceu somente aos 25 anos. Sei que com algumas pessoas acontece mais cedo, achei que estava sempre alerta e nunca teria esse tipo de problemas.
Apesar de já ter ouvido falar muito sobre o assunto, nunca antes havia provado e ao ter contato, percebi que não conseguiria me livrar sem ajuda externa.
Foi um choque quando contei para minha mãe. Ela não queria aceitar de maneira alguma.
Mas já era fato, era inegável.
Procurei então ajuda, desesperado. Sentia comichões por todo o corpo, sentia vontade de rolar ao chão. Entrei na internet e procurei, peguei números de telefone e me informei melhor sobre tudo que acontecia. Queria saber tudo o quanto podia.
Estava com medo, muito medo.
É claro que existem muitas espécies delas, tudo começou com as leves, depois quando percebi, já estava com a mais prejudicial de todas.
Foi difícil, muito difícil. Tive muito trabalho e sofrimento antes, durante e depois do tratamento à base de produtos químicos importados.
Mal dormia. Conversei com amigos e descobri que alguns tiveram a mesma experiência, mas que conseguiram superar o problema. Para provar que por melhor que sejamos, ninguém está livre. Através delas, fiquei sabendo o quanto era difícil se livrar, uma vez que houvesse ocorrido.
Ainda hoje vivo com medo, fecho todas as portas e janelas, temendo novamente ser vítima, pois uma vez que tenha acontecido, você nunca mais estará livre.
Não há discriminação por classe social, credo, cor, idade. Qualquer um pode ser vítima. QUALQUER UM.
E o processo é tão rápido que quando você menos esperar, já estará com a casa completamente vazia, isso se ainda houver casa. Ela te faz perder tudo!
Falo disto enfaticamente, como a pessoa normal e saudável que sou hoje.
Ainda sofro as seqüelas do tratamento, mas hoje meu problema está sanado.
Não queria falar sobre o assunto, mas, é para um bem maior, é para alertar vocês, meus amigos.

CUIDADO COM OS CUPINS! :-P

Acharam que era o quê? heh

abraços pra todos,

Tetsuo.

[+] Unknown as 1:17:00 PM -

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Divagações de 28.10.02

E já respondendo ao Vlamir.
Hoje, a festa da Democracia não teve graça. Entre entrar, votar, assinar e sair deve ter levado uns vinte segundos.
Nada de filas, nada de conversa de comadres, nada de nego fedendo do meu lado.
Isso não é coisa que se faça. Não se pode negar uma fila à um brasileiro.
Já tão poucas coisas se pode fazer por aqui e ainda negam-nos uma filazinha?
Acredito que a fila seja já considerado um evento social. A única coisa que falta, mas que pode ser comprada na barraquinha mais próxima, são os comes e bebes.
Nas filas de banco, para aposentadoria, fgts, seguro desemprego, é que podemos desenvolver relacionamentos sem compromisso. Pessoas se abrem em filas, falam do quanto está caro o arroz, da situação financeira, de como "os político só roba". Dos problemas que os filhos causam, problemas de saúde dos mais diversos e mais uma infinidade de assuntos.
E não é necessário nenhum requisito para ser aceito nestes eventos sociais. Basta que se esteja em uma para se sentir parte da coisa toda.
E sua passagem para o mundo das filas, pode ser através de um simples "Que horas são?". Pode ser por um sorriso trocado quando aquele "pestinha" que fica olhando pra todo lado vem puxar a barra da sua calça. Ou um bebê, carequinha e desdentado que fica te olhando insistentemente e apontando o dedinho pra você. Sorrisos são trocados com a mãe/pai/sei lá o quê do bebê e pronto. Vínculo formado.
Filas, são exatamente como o mundo blogueiro. Muitas pessoas com muitas vidas e "causos", todos bem guardados e esperando para serem contados, e muita, mas muita falta do que fazer. Afinal de contas, que é que você vai fazer, de pé numa fila? Você só pode esperar, não vai à lugar algum.
Em filas e blogs são feitos laços de amizade que algumas vezes quebram os laços dos encontros mensais ou dos "Oi, me visitem". Tornam-se amizades verdadeiras, criam-se vínculos afetivos que podem durar a vida inteira.
A diferença que existe entre blogs e filas é que nos blogs você não precisa estar de pé, nem muito menos aos rigores do clima.
Por outro lado, a interação nas filas é física, muito mais pessoal que a "virtualidade" dos blogs.
Apesar de existirem revoltados como eu, que a única coisa que sabem fazer além de bufar muito putos, é fazer cara feia pra qualquer um que olhe, ainda existem os outros, os que têm sempre falta de relógio e excesso de assuntos.
Se está a fim de papo sem compromisso, apenas entre na primeira fila que vir, pegue a sua ficha, finja cara feia e diga em voz meio alto algo como:
- Essa fila não acaba! Quando que vamos sair daqui? Será que nada funciona?
Ou, se as idéias faltarem, apenas sorria para a pessoa da frente.

Boa diversão à todos.

[+] Unknown as 12:47:00 AM -

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Divagações de 27.10.02

Ei, boa noite to everybody.
Voltando pra dar notícias, mas estou completamente exausto.
Chegando nesse instante da casa da Tita. Cansado mas satisfeito.
Foi ótimo rever bons amigos, (não estavam todos lá, faltaram alguns companheiros de copo e afetos).
Como sempre, mesmo que em menor número, não consegui conversar 10% do que eu gostaria com nenhum deles.
O motivo disso é muito simples: Dum lado da cidade moram eles, do outro eu.
Apesar de ser ruim, há casos piores. De um lado do Sudeste ela, do outro eu.
Enfim.
O bom é que quando nos encontramos, há sempre um clima de amizade, cumplicidade. A delícia de matar saudades.
Dividimos taças de vinho e uma torta de limão deliciosa da Carmilla sacana.
E tem mais, estou segurando em minhas mãos um exemplar devidamente autografado do mais novo sucesso vampírico. Relações de Sangue da Martha Argel :))

Leia aqui gratuitamente um
trecho do livro


Relações
de Sangue


Relações de Sangue - Martha Argel


Ceres: Não comentei o do seu blog, mas comentei outros teus mais antigos no tintarubra. Serve como adiantamento? rs
Volnya, Giu, Paulo, Carl, Grazi e o viado do Vlamir: Obrigado por virem aqui. :)
Paulo: Voltei, velho. Baleado mas ainda aqui.

Beijos pra todos.

[+] Unknown as 1:17:00 AM -

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